domingo, 14 de julho de 2013

Tomar atitude precipita a crise


Nos grupos de Amor-Exigente, costumamos trabalhar um princípio por mês. Em julho, vivenciamos o 7º Princípio, que diz : "Tomar atitude precipita a crise".
Sabem porque silenciamos diante dos comportamentos inadequados de nossos entes queridos? Porque sabemos que nossa atitude pode gerar uma crise e ainda não estamos preparados para enfrentá-la.
De certa forma, ainda assim, é melhor não tomar atitude quando não temos condições de sustentá-la. Codependentes são mestres em ameaçar, mas tem dificuldades para cumprir, pois os limites são largos, não sabem dizer não, tem medo de deixar o ente querido responder por suas atitudes inadequadas e com isso acabam , sem querer, permitindo que elas fiquem ainda mais frequentes e intensas.
Portanto, vivenciar o sétimo princípio é essencial para mudar a situação. Neste momento, somos convidados a entender que é preciso se preparar para tomar uma atitude. É preciso ter certeza do que queremos, de como faremos e, principalmente, de que estaremos prontos para manter nossa posição frente às consequências de nossa tomada de atitude. Para isso, precisamos nos fortalecer e, nos grupos, compartilhando as experiências de nossos iguais, a cada dia, estaremos mais fortes, mais certos de quais as atitudes que devemos tomar, de como devemos agir, da crise que vamos enfrentar, lembrando sempre que a crise é fator desencadeante de mudanças e que, se estivermos fortalecidos para geri-la, teremos grandes chances de obter mudanças positivas.
Neste princípio percebemos que o que não podemos mais é agir da mesma forma esperando por resultados diferentes.Se queremos mudanças, vamos nos preparar para o caminho das pedras, certo de que chegaremos a um lugar mais iluminado.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Culpa de quê?


Um dos principais sentimentos presentes nos familiares de dependentes químicos é a culpa. Mães, ao descobrirem o uso dos filhos, quase que automaticamente, já se questionam: "Onde foi que eu errei?". Irmãos, filhos, cônjuges, amigos, todos os que convivem com esta doença tendem a sentirem-se culpados pelo comportamento, pelas atitudes do ente querido. Pensam: "Se eu tivesse feito assim..." ou ainda "ou não devia ter feito isso, ele recaiu por minha causa."
A culpa é um sentimento muito negativo e , muitas vezes, uma simples ilusão. É preciso entender que temos responsabilidades nas relações, influenciamos os que convivem conosco, porém, todos nós temos o poder do livre-arbítrio, da escolha.Então, quando nossos entes queridos fazem suas escolhas, boas ou más, não temos culpa.
Além de já fazer parte dos primeiros questionamentos do familiar, a culpa ainda tem um aliado: o próprio dependente químico. Em sua dinâmica emocional , para fugir da dor e da responsabilidade por seus erros ou escolhas erradas, ele tende a culpa o familiar. E, rapidamente, este aceita a acusação, aumentando ainda mais a pressão que o sentimento traz.
E mais, sentindo culpa, ficamos paralisados. Não conseguimos tomar atitudes, pois temos medo de errar. Já estamos repletos de certezas sobre os erros que cometemos no passado, julgando-os como fatos reais.
Portanto, família, busque ajuda para trabalhar a sua culpa. No grupo, na terapia, na conversa com seus iguais, liberte-se deste sentimento opressor que só prejudicará a recuperação do seu ente querido e, principalmente, a sua. Lembre-se que é impotente perante as escolhas do outro!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Luz e sombra

Somos luz e sombra, bem e mal, noite e dia, lua e sol. Somos alegres e tristes, entusiasmados e desanimados, calmos e agitados, carentes e caridosos. Também somos amor e ódio, branco e preto, homem e mulher. Tudo habita dentro de nós.
Controladores e perfeccionistas, nós, codependentes, passamos boa parte do tempo buscando a rigidez de ser apenas o bom, o bem, o totalmente aceito.
Nesta luta perdida, perdemos também  a oportunidade de conhecer, aceitar e acolher o nosso outro lado, os sentimentos antagônicos que, em vez de serem rejeitados, deveriam complementar o que julgamos ser bom.
Precisamos da tristeza para conhecer a alegria, do dia para que chegue a noite, do frio do inverno para sentir o calor do verão. Somos duais. Não devemos negar ou rejeitar sentimentos e sensações, mas acolhê-los na alma, deixando que  passeiam por nós, ensinem o que precisamos aprender e , quando forem embora, nos deixem prontos para acolher os próximos.
Nossa alma deve ser como uma hospedaria, acolhendo todos os sentimentos que, como humanos, devemos experimentar. Sem resistência, com aceitação, conheceremos e aprenderemos a amar nossa luz e nossa sobra, amando-nos assim, por inteiro.
Então, como dizem nos grupos, "Solte-se e entregue-se a Deus". Tudo será mais leve, fácil e a vida fluirá como uma brisa de outono, suave e tranquila.

domingo, 30 de junho de 2013

O poder do não

Nós, codependentes, temos uma dificuldade em especial: dizer "Não". Pela nossa antiga necessidade de agradar ao outro para ser aceita, pensamos que o "Não" possa fazer com o outro se afaste de nós. Seja com a família, com os colegas, com o parceiro ou no trabalho, na maioria das vezes dizemos "Sim", mesmo que isso signifique sobrecarregar a nós mesmos de atividades ou passar por cima de nossas reais necessidades.

domingo, 21 de abril de 2013

Caminhando na libertação da codependência

Neste trabalho de peregrinação que venho fazendo em todo o Brasil, tendo o privilégio de conversar com milhares de codependentes, conhecer suas histórias, seus medos, suas vitórias e aprendizados, tenho observado muitas e muitas nuances da codependência.
Pais de dependentes químicos são tomados por uma esmagadora sensação de impotência não somente diante da doença, mas, principalmente, diante de suas próprias dificuldades em dizer "não" para aqueles que a vida inteira foram acostumados ao "sim".